Prioridade da agenda diplomática do atual governo brasileiro, a integração entre países da América do Sul se consolida em diversas frentes.
No âmbito da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), o ex-presidente argentino Néstor Kirchner foi eleito por consenso secretário-geral da entidade, em 4 de maio. Além do cargo na Unasul, outro argentino, Agustín Colombo Sierra, é o atual secretário-geral do Mercosul, que no mesmo dia obteve um grande avanço em negociações comerciais com a União Europeia (UE).
Fato inédito na diplomacia regional, a proposta brasileira de realização da I Cúpula da América Latina e Caribe (CALC), em dezembro de 2008, na Costa do Sauípe (BA), teve continuidade em 23 de fevereiro deste ano, quando realizou-se a II CALC, em Cancun, México. O principal resultado foi a criação da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos, que promoverá a integração regional e o desenvolvimento sustentável na região.
A Comissão da União Europeia aprovou em 4 de maio a retomada das negociações de um acordo de livre comércio com o Mercosul. Se fechado, será o maior acordo de livre comércio do mundo entre duas regiões, que abrigam 00 milhões de consumidores, e poderá gerar € 9 bilhões de exportações a mais por ano – € 4,5 bilhões para cada lado.
Mercosul e União Europeia começaram a negociar há 15 anos. Os encontros cessaram em 2004. Desta vez, a negociação será facilitada porque os dois blocos já mapearam os pontos centrais do acordo. Os líderes do Mercosul e da União Europeia oficializaram a retomada das negociações no dia 17 de maio, em Madri (Espanha), durante a 6ª Cúpula UE-América do Sul e Caribe.
Maior parceiro comercial do Mercosul (destino de 20,7% de suas exportações no ano passado), a União Europeia destaca o enorme potencial de crescimento do bloco. O PIB da região, de € 1,3 trilhão, é superior ao de países como a Coreia do Sul, Índia e Rússia. A expansão econômica tem variado de 4% a 6% no Brasil e de 6% a 9% na Argentina, enquanto está estagnada na Europa.
O Mercosul é um parceiro mais importante para a União Europeia do que Canadá e Coreia. A Europa tem mais de € 165 bilhões de investimentos no Mercosul, mais do que os europeus investiram na China, Índia e Rússia juntos.
Em outra frente – e também em 4 de maio – o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil e o Departamento de Comércio dos Estados Unidos anunciaram a retomada do fórum de discussão Diálogo Comercial Brasil-Estados Unidos para tratar de inovação tecnológica. O fórum foi criado em 2006, mas estava paralisado desde 2008.
A retomada das discussões interessa aos dois países. Os Estados Unidos, que já foram o principal parceiro comercial brasileiro, tiveram de janeiro a abril deste ano uma participação de 10,8% das exportações (abaixo da União Europeia, China e do Mercosul); e de 14,8% das importações brasileiras (atrás da União Europeia e da China).