Na véspera das duas cúpulas foi realizado no Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, o Encontro Empresarial Bric-Ibas, com a participação de 200 empresários dos cinco países.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou no encontro que o fluxo comercial entre os países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) deve crescer em mais de US$ 10 bilhões neste ano, chegando a US$ 60 bilhões. Segundo o chanceler, o ganho se deve à superação da crise financeira global e à boa perspectiva de crescimento dos quatro países.
De acordo com ele, a participação do Bric no crescimento mundial nos próximos anos será de 61%, enquanto o G7, grupo dos sete países mais ricos do mundo, deve contribuir com apenas 13%. "Há uma mudança na balança do poder econômico mundial, e isso se refletirá em outros setores", disse.
Amorim avalia que está ocorrendo "um redesenho do mundo", em que os países do Bric e do Ibas (Índia, Brasil e África do Sul) ganham importância. O ministro lembrou que, no ano passado, a China se transformou no principal parceiro comercial do Brasil, superando os Estados Unidos.
Fóruns da sociedade civil
Conhecidos por suas posições independentes no cenário internacional, Brasil, África do Sul e Índia têm atuado de forma coordenada nos fóruns multilaterais, em favor da ampliação da governança global, e avaliam que a consolidação do Ibas impõe o desafio de levar a cooperação trilateral para além dos limites dos governos. Paralelamente à cúpula, foram realizados alguns fóruns, entre os quais o acadêmico, o de editores, o de mulheres, o de parlamentares e o de pequenas e médias empresas.
Editores
O Fórum de Editores teve a participação de jornalistas e editores de alto nível dos três países, que reconheceram a enorme importância política do Fórum de Diálogo Ibas no mundo em transição, mas consideraram que a comunicação ainda não está à altura da iniciativa. Para os participantes do encontro, é preciso uma nova convergência entre os governos e a mídia privada e pública dos três países.
Os participantes do Fórum de Editores – segundo o relatório apresentado na IV Cúpula do IBAS pelos jornalistas Carlos Tibúrcio, assessor especial da Secretaria-Geral da Presidência da República do Brasil, e Mario Lubetkin, diretor-geral da IPS (Inter Press Service), que coordenou o Fórum – decidiram criar uma rede de jornalistas e editores do Ibas. Também consideraram necessária a criação do Grupo de Trabalho da Comunicação no Ibas, com a participação de meios de comunicação privados e públicos e a realização de encontros periódicos, além da construção de um sítio específico na Internet para informação e comunicação sobre o Fórum Ibas e de um programa de sensibilização e complementação da formação de jornalistas sobre o Ibas.