Às vésperas das comemorações de seu cinquentenário, Brasília sediou, em 15 de abril, a 4ª Cúpula do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (Ibas) e a 2ª Cúpula do Grupo Bric (Brasil, Rússia, Índia e China). Exemplos concretos do fenômeno da multipolarização das relações internacionais, Ibas e Bric são dois dos arranjos mais inovadores da nova política internacional.
Além dos encontros dos dois mecanismos de diálogo, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu, em reuniões bilaterais, o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, o Presidente da China, Hu Jintao, o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, e o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev.
O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, comemorou o fato. "A importância dos encontros não se limita aos aspectos econômicos, mas políticos também". Segundo o ministro, as reuniões mostram aquilo que o presidente Lula já vem dizendo há algum tempo: o Brasil está contribuindo para o surgimento de uma nova geografia mundial.
"Hoje em dia", comentou Amorim, "uma reunião do Bric merece mais atenção do que um encontro do G7. E com razão, porque dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostram que 60% do crescimento da economia mundial nos próximos seis, oito anos, virão do Bric".
Os encontros, segundo o ministro, não se limitaram a planos e projetos. "No caso do Ibas, decidiu-se pelo lançamento de um satélite que terá o nome do grupo. Esta é uma cooperação que vai da alta tecnologia a programas sociais e a publicações de estatísticas", afirmou.
No caso do Bric, o ministro destaca acordos entre os bancos de desenvolvimento e um primeiro seminário dos bancos centrais para discutir aspectos monetários. A cooperação entre os quatro países nesse sentido começou em Ekaterimburgo, na Rússia, em 2009, quando os líderes se reuniram na 1ª Cúpula do Bric e anunciaram que as instituições iriam atuar de forma coordenada na reforma do sistema financeiro internacional.
Para o coordenador do Fórum Ibas, embaixador Roberto Jaguaribe, “nos dois grupos – Ibas e Bric – há um consenso de que o espaço de governança global, no que toca aos países em desenvolvimento, é inadequado e insuficiente. Ambos buscam uma capacidade de articulação que pode ajudar a influenciar, para melhor, esse espaço de governança”.