Revista éBrasil n.2
Mariana Montovani
O nome dela é o mesmo de uma flor originária da Turquia. Foi inspirado em um filme da década de 60, uma história de Alexandre Dumas. Coragem e delicadeza são características que a definem como pessoa e profissional. Essa é Tulipa Ruiz, uma cantora que, no início, apenas brincava de cantar e queria encantar sua banda, testar a música com o público, e que hoje faz parte da remessa reveladora de artistas talentosos da música popular brasileira.
Suas melodias são envolventes, sua voz surpreende e suas composições são, literalmente, música e poesia aos ouvidos de quem as escuta. Jornalista, cantora, compositora e desenhista, Tulipa Ruiz nasceu em Santos, no Estado de São Paulo e, ainda criança, mudou com a mãe e o irmão para a cidade de São Lourenço, em Minas Gerais. Aos 23 anos foi morar em São Paulo, onde estudou Comunicação, e já embalava e encantava os amigos com a sua voz e seu ritmo único em apresentações musicais. “A música começou a invadir o meu horário comercial, e foi então que a ficha caiu. Lembro que tinha de inventar desculpas no trabalho para gravar uma música, fazer um ensaio. Decidi abrir mão de tudo e me dedicar somente à música”. Em dezembro de 2008, pediu demissão do seu trabalho e, em conjunto com o seu irmão, o guitarrista Gustavo Ruiz, passou a compor as músicas que, posteriormente, integraram seu primeiro álbum, “Efêmera”.
A música de Tulipa Ruiz não é enquadrada em nenhum gênero já existente. Suas composições têm melodias com propostas dançantes e letras suaves, como no estilo pop. Também têm batidas mais fortes, como as encontradas no rock. Suas composições possuem metáforas, assim como apresenta a música romântica. A cantora construiu o que chama de pop-florestal, uma música metade paulista, metade mineira, uma mistura de ritmos, gêneros musicais, com inspirações da vanguarda paulistana e do cenário musical que tem São Lourenço.
O sucesso fez com que São Paulo ficasse pequeno para Tulipa. A cantora passou a se apresentar fora do eixo Rio-São Paulo, e o resultado foi o mesmo, casas cheias e o público cantando suas músicas. Foi assim também que aconteceu sua primeira turnê no exterior. Ela e seu irmão passaram por Portugal, França e Inglaterra, durante os meses de março e abril de 2011, fazendo pequenos shows, apenas com voz e violão, para divulgação do seu CD. “Foi engraçado, porque no primeiro show tinham poucas pessoas e nos últimos já tinha muito mais gente, e não só brasileiros, o pessoal local também”, narra Tulipa, que volta para a Europa no segundo semestre de 2011, dessa vez com a banda toda. A turnê rendeu boas críticas do jornal inglês The Guardian, sem contar os elogios da crítica brasileira que a cantora coleciona desde o lançamento do seu CD.
Desenhar canções
Tulipa Ruiz também encanta com outra atividade artística, a ilustração. Antigamente, sua pretensão com a música estava restrita a ilustrar capas de discos. “As primeiras vontades que eu tive com relação ao desenho foi olhando capas de disco, achava a profissão mais legal do mundo!”, diverte-se a cantora. Tulipa disse que toda vez que desenha pensa em uma melodia, uma canção para aquele desenho, e toda vez que compõe, imagina um desenho para aquela composição.
O nome para o seu álbum, “Efêmera”, foi escolhido para registrar e questionar como as coisas são perecíveis, principalmente no mundo atual, onde tudo é rápido, quase instantâneo. Porém, Tulipa observa que mesmo o instantâneo tem o poder de influenciar, inspirar. “A estrela cadente, por exemplo, por mais rápida que seja, sempre inspira e tem uma contradição interessante, porque seu significado e sua beleza são longas, são infinitas”, empolga-se. Metade paulista, metade mineira, assim como fala um trecho da sua música Brocal Dourado, Tulipa Ruiz é “um confeito com sabor concentrado”.