de Celso Finkler, publicitário, pós-graduado em Psicobiofísica. É diretor executivo da May Harris Comunicação e Fashion Business, além de dirigir a Made in Brazil Models
Após muitos anos vivendo à sombra de uma das indústrias mais ecléticas e prazerosas do mundo, o Brasil, através daquilo que ele tem de mais precioso, entrou pela porta da frente no mercado da moda mundial. Foi a valorização da beleza da mulher brasileira diante da projeção internacional de nossas top models que, no início deste século, possibilitou que a moda brasileira alçasse outros voos e trilhasse novos horizontes.
Com uma indústria têxtil que movimenta cerca de US$ 35 bilhões anualmente, o Brasil passou de simples fonte de referência em trajes típicos a produtor de moda e exportador de beleza. A moda brasileira, que antes reproduzia os padrões europeus e norte-americanos, passou a ser vista – graças a Gisele Bündchen –como fonte de inspiração pelo exotismo de nossas matérias-primas e a miscigenação de nossa cultura. A presença no cenário mundial da beleza da mulher brasileira incentivou o surgimento de novas escolas, novos cursos profissionalizantes e a formação de novos estilistas.
Atualmente, a qualidade de algumas marcas brasileiras compete em igualdade com as mais famosas marcas internacionais. O mercado de jeanswear é um exemplo. Marcas nacionais como Carmim, Ellus, Forum e M. Officer disputam o mercado consumidor com marcas internacionais como Diesel, Calvin Klein, Guess e Levi’s.
A rebeldia das décadas de 60 e 70, que criou novos estilos de viver, de vestir e de produzir arte, cedeu lugar a gerações mais democráticas, mas individualistas. Da década perdida aos anos 90, a relação entre o estilo de vestir e as opções de vida tornou-se mais intrínseca. Os jovens executivos, desde então, criaram o seu próprio código de vestir e conduzir suas vidas denominando toda uma nova geração: os yuppies ou the young urban professionals. Mas foi no início deste século que a era digital consagrou o desejo unilateral de ser em detrimento à vontade de um grupo. É o único se sobrepondo ao todo. Hoje, fala-se em tendências de moda assim como se fala em vítimas dela. O poder está ao alcance de nossas mãos. O novo só depende de nossa vontade.
Segundo o filósofo Gilles Lipovetsky, a moda não é anjo nem fera. No império da moda há mais estimulações de todos os gêneros, mas mais inquietude de viver; há mais autonomia privada, mas mais crises íntimas. É a grandeza da moda remetendo o indivíduo para si próprio, tornando-o cada vez mais problemático para si mesmo e para os outros.
Entretanto, à margem das controvérsias, segue caminho toda uma legião de profissionais cada vez mais ávidos em apresentar sua marca e romper as últimas fronteiras que ainda os separam das unanimidades globais. De Ocimar Versolato a Lino Villaventura, a moda nacional passou a dividir as araras internacionais com os estilistas consagrados da altacostura mundial. Já podemos dizer que somos exportadores de tendência principalmente devido ao sucesso das semanas de moda do eixo Rio-São Paulo, incluindo os inúmeros eventos fashion que, cada vez mais, despontam nas principais capitais do nosso país.
Yes, nós temos bacanas! É a moda brasileira mostrando todo o seu valor e imprimindo estilo e personalidade neste mercado em constante ebulição.