Estado recebe investimento privado em aço
A mineradora Vale e a Siderúrgica Sinobras firmaram um acordo que vai possibilitar que além de laminados a quente, o Pará passe a produzir laminados a frio e aço galvanizado. A nova indústria, que ganhou o nome de Projeto Aline, será na cidade de Marabá (sudeste do estado), em uma área conjunta à Siderúrgica Aços Laminados do Pará (Alpa). A Alpa é uma usina da Vale, que vai começar a operar em 2013 com investimentos de US$ 3,9 bilhões e previsão de 18 mil empregos. A estimativa é de que a capacidade anual de produção da Alpa será de 2,5 milhões de toneladas de aço, podendo chegar a cinco milhões.
A parceria prevê que as placas de aço da Alpa serão utilizadas no Projeto Aline para a produção de até 650 mil toneladas anuais de bobinas quentes e frias e chapas galvanizadas, essenciais para a confecção de tubos, telhas, vagões, barcaças, botijões de gás, e toda a parte metálica de móveis, eletrodomésticos da linha branca e embalagens. Com isso, a Sinobras deixará de comprar de outras regiões o aço necessário para a sua produção, o que possibilitará, inclusive, a criação de um pólo de desenvolvimento econômico no município de Marabá.
O compromisso firmado atendeu a uma reivindicação do governo estadual. A idéia é agregar valor ao minério, abundante no Pará. O entendimento prevê ainda que mais de 90% da mão de obra usada no Projeto Aline seja formada por paraenses. Em conjunto com a Universidade do Estado do Pará (Uepa) e a Universidade Federal do Pará (UFPA), o governo pretende criar cursos para a capacitação profissional.
Além de ser a primeira usina integrada das regiões Norte e Nordeste, a parceria entre a Alpa e o Projeto Aline abre espaço para a instalação de uma base metal-mecânica no Pará. O governo estadual estima ainda que nos próximos quatro anos o volume de investimentos públicos e privados no Pará vai chegar a US$ 53 bilhões.
Mais energia para impulsionar a produção
Para tocar a produção da siderurgia e de outras bases industriais, e também para atender ao aumento da população, o governo federal entende que a capacidade de geração de energia vai ter que ficar 34,8% maior até 2017. Atualmente, o Brasil desenvolve 28 projetos de usinas hidrelétricas. Desse total, 11 estão na região amazônica. As informações foram apresentadas pelo superintendente de Planejamento da Expansão da Eletrobrás, Paulo Cesar Domingues, que participou em Belém, capital do Pará, do seminário Energia e Desenvolvimento.
De acordo com o técnico da Eletrobrás, a Amazônia tem um papel de destaque nesse processo de expansão energética. Isso porque a região concentra 40% da capacidade a ser explorada. Por outro lado, o Plano Decenal de Expansão de Energia prevê que a demanda nos estados amazônicos no período de 2008 a 2017 será quase o dobro da média das outras regiões. O potencial energético do Brasil é de 260 GW. Mas, de acordo com o superintendente da Eletrobrás, apenas 30% foi explorado e metade vem da Hidrelétrica de Itaipu, no Sul do país. Os 28 projetos de hidrelétricas em análise produziriam 30.093 MW e nada menos que 25.484 MW sairiam das hidrelétricas a serem instaladas no Pará, com maior concentração nos rios Itacaiúnas, Tapajós, Jamanxim, Trombetas e Paru do Oeste.
Além da construção da Usina de Belo Monte, no rio Xingu, com capacidade de 11.233 MW, estão previstas para esse ano as conclusões dos estudos do complexo hidrelétrico dos rios Tapajós e Jamaxim - com potência de 6.130 MW e 881 MW - e do estudo de impacto ambiental da Usina Hidrelétrica de Marabá, no rio Tocantins, com potência de 600 MW. A Eletrobrás também trabalha no Pará com empreendimentos de transmissão, alguns já em fase de implantação. A estatal avalia que serão investidos cerca de US$ 72 milhões nesses serviços. O propósito é o fortalecimento do Sistema Interligado de Energia, considerado pela empresa essencial para assegurar a segurança energética do país.
Contrato para construção de Belo Monte será assinado em setembro
Depois de batalhas jurídicas envolvendo questões ambientais e de polêmica sobre a cotação de preços para a produção de energia, a usina que promete ser a maior hidrelétrica inteiramente brasileira vai finalmente sair do papel. Belo Monte, a ser construída no rio Xingu, no Pará, deverá custar pelo menos R$ 19 bilhões (US$ 10 bilhões), segundo o governo. A usina terá capacidade de gerar 11.233 megawatts (MW) de energia, o que fará dela a terceira maior do mundo.
O processo está no Ministério de Minas e Energia, que marcou para 23 de setembro a oficialização da outorga de concessão ao vencedor da concorrência, o consórcio Norte Energia, formado por nove empresas. A assinatura do contrato está marcada para o dia 30 de setembro. A previsão é de que a usina passe a funcionar em 2015.