No começo de 1957, uma área ao leste do estado de Goiás foi tomada por mais de 30 mil pessoas. A maioria delas havia deixado suas famílias no Nordeste e embarcara para uma quase epopeia, liderada pelo presidente da República recém-eleito. Juscelino Kubitschek, ou JK, decidiu construir do nada a nova capital do Brasil. O prazo era curto: a cidade deveria ser inaugurada em 21 de abril de 1960, data em homenagem à Inconfidência Mineira, movimento ocorrido no Século 18 contra a colonização portuguesa.
Foi um tal de gente trabalhando dia e noite. Homens e máquinas derrubando árvores, cortando ruas, empilhando tijolos, carregando vigas de concreto, furando o solo para formar um enorme lago artificial. O arquiteto escolhido para construir os prédios públicos e a Praça dos Três Poderes foi Oscar Niemeyer, então um jovem senhor de 50 anos. O plano urbanístico, por sua vez, ficou a cargo de Lucio Costa, que propôs que a cidade tivesse a forma de uma libélula, ou de uma cruz.
A construção de Brasília pode, sem exageros, ser comparada a um épico. Oscar Niemeyer lembra que o que seria um dia a capital do Brasil não passava de terra vazia e cheia de poeira. Onde havia vegetação, o capim batia nos joelhos. Em compensação, quem viveu essa história teve a oportunidade de experimentar quase um socialismo. Engenheiros, arquitetos, diretores moravam nas mesmas casas geminadas dos operários e comiam no mesmo refeitório.
O que parecia impossível aconteceu. Alguns prédios ficaram prontos até mesmo antes da data. Faltavam cinco minutos para a zero hora do dia 21 de abril de 1960, quando o cardeal português dom Manuel Gonçalves Cerejeira, que representava o papa João 23, começou a celebrar a missa solene, acompanhada por cerca de 30 mil pessoas. Durante a liturgia, o mesmo sino que teria anunciado o enforcamento de Tiradentes, o herói da Inconfidência Mineira, soou.
Para quem quiser saber mais da história de Brasília, uma boa dica é visitar o Arquivo Público do Distrito Federal. O atendimento aos visitantes é nos dias úteis, das 8h30 às 16h30. É possível acessar os documentos originais e solicitar cópias de alguns deles.
Singular e com a cara de todo o Brasil
Primeiro vieram os candangos, como eram chamados os que se aventuraram para criar a cidade. A maioria, de estados do Nordeste. Eles se embrenharam em terras do Planalto Central para trabalhar na construção de Brasília. Inaugurada a nova capital, chegaram do Rio de Janeiro os servidores públicos federais. E muita gente foi chegando e continua a aportar na Capital. Por outro lado, cada vez mais brasilienses nascem. Segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), praticamente metade de Brasília, 48,92%, é formada por pessoas nascidas na cidade. Ao todo, são 2,45 milhões de habitantes em todo o Distrito Federal, que tem Brasília como capital e 29 regiões administrativas.
O fato de ser o lugar com maior número de migrantes em relação ao total de habitantes faz de Brasília um mosaico em todos os sentidos. Desde a representação no Parlamento até a variedade de comida servida nos restaurantes, Brasília consegue juntar um pouco do Brasil em cada quadra.
Brasília também une o país pelos ares. O Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek é o terceiro em número de passageiros no Brasil. E os visitantes costumam se surpreender com o que a cidade oferece. Além das relíquias arquitetônicas, que fizeram Brasília ser reconhecida em 1987 como Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade, a capital brasileira abriga riquezas naturais como cachoeiras, rios e lagos.
E a melhor época para apreciar essas belezas é entre a segunda quinzena de abril e o final de mês de junho. Nesse período não costuma haver fortes chuvas nem seca em demasia. E o turista é brindado com um por do sol inesquecível.