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Petrobras: o maior plano de expansão do mundo com o pré-sal

Petrolífera brasileira planeja investir US$ 174 bilhões até 2013

A amplitude do repertório do país no campo da energia torna difícil acreditar que por esse lado tenha se configurado um gargalo de crescimento, como ocorreu em 2001. De qualquer forma, o governo do presidente Lula preferiu não afrontar um ditado muito popular no país, que diz que ‘gato escaldado tem medo até de água fria’. Na segunda etapa do Plano de Aceleração do Crescimento, lançada em fevereiro deste ano, o PAC 2 destina ao setor de energia mais de R$ 1 trilhão, do total de investimentos previstos da ordem de R$ 1,5 trilhão. Estão programadas nada menos que 54 novas hidrelétricas com potência da ordem de 47.500 megawatts –15 mil megawatts mais que a soma das duas maiores usinas existentes hoje no planeta, a brasileira Itaipu e a chinesa Três Gargantas.

Sabiamente, o Brasil não quer perder a vantagem comparativa de um sistema econômico que tem 80% do consumo industrial e residencial abastecido por energia de origem hidráulica. Quando se soma à eletricidade o etanol e outras fontes alternativas chega-se a quase 55% da demanda atendida por fontes renováveis, contra apenas 13,2% da média mundial.

O cenário diferenciado vivido pelo país na transição da matriz energética do século 21 ganhou um contraponto bombástico depois que os brasileiros descobriram, em novembro de 2007, um megacampo de petróleo, a 350 quilômetros distante da costa do Rio de Janeiro, seis mil metros de profundidade abaixo da crosta de sal milenarmente acumulada no fundo do oceano. Mesmo sem ter sido totalmente dimensionada, a nova província petrolífera de Tupi já é reconhecida como a maior descoberta do mundo neste século. Seu óleo predominantemente de qualidade superior é suficiente, no mínimo, para dobrar as reservas do país, da ordem de 14 bilhões de barris atualmente, o que consolida a brasileira Petrobras como a petroleira sensação do momento. Sexta maior do mundo, detentora do maior lucro do setor em 2009, a empresa saltou à frente das concorrentes ao se tornar uma liderança imbatível em inovação e tecnologia de águas profundas. A Agência Internacional de Energia, a AIE, prevê que em 2030 o consumo mundial de petróleo será da ordem de 100 milhões de barris/dia; 70% desse total ainda precisa ser descoberto e, se existir, esconde-se sob águas profundas que a Petrobras sabe melhor que ninguém desbravar.

A autossuficiência conquistada pelo país em abril de 2006 –produção média de 1,97 milhão de barris/dia para um consumo de 1,8 milhão de barris/dia em 2009 – ganhou um horizonte de futuro espetacular com o pré-sal. Ter chegado mais tarde à descoberta de grandes reservas, quando o próprio país já dispõe de opções maduras em fontes renováveis, favoreceu duplamente o planejamento energético brasileiro. Pouca dúvida pode haver de que esta é uma economia que navegará de forma confortável e segura pela transição energética em marcha no planeta. Ao dispor de recursos e tecnologia de ponta nos dois lados dessa travessia, o Brasil pode desenhar linhas de passagem da era fóssil para a matriz renovável, sem risco de ruptura em seu processo de crescimento.

Mas pelo menos neste caso, o governo do presidente Lula parece determinado a ir além de uma travessia serena. Com o trunfo do pré-sal, o país pretende galgar um novo degrau na sua industrialização, ancorado em forte desenvolvimento da petroquímica, bem como do setor de máquinas e equipamentos, além de consolidar uma indústria naval que já vive um boom com mais de 40 estaleiros em funcionamento a pleno vapor. Depois de um longo crepúsculo nos anos 90, o parque naval está sendo desafiado a assumir índices de nacionalização de até 70% em encomendas destinadas à exploração do pré-sal, que incluem mais de meia centena de navios, 28 sondas até 2014, além de 12 que já estão a caminho.

Os valores que acompanham essa ambição confirmam a intenção brasileira de transformar o país no maior pólo de exploração marítima de petróleo do mundo. O investimento em óleo e gás natural até 2014 dá sustentação a essa ambição. São R$ 879,2 bilhões, cerca de US$ 450 bilhões, que incluem uma expansão da Petrobras de US$ 174 bilhões no quadriênio 2009 a 2013. É o maior programa de investimentos de uma empresa no planeta, e ainda pode ainda ser revisto para cima.

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