A incorporação da classe C à agenda das empresas pavimentou o caminho para um florescimento imobiliário que tornou a construção civil um dos motores mais possantes do atual ciclo de crescimento brasileiro. Depois de duas décadas de estagnação sem estratégia de financiamento adequada, o setor foi contemplado com reformas como a do patrimônio de afetação que individualizou a contabilidade dos lançamentos, e o fundo garantidor, que diluiu os riscos. Ambos propiciam maior segurança de mercado ao investidor e aos mutuários.
O êxito do programa Minha Casa, Minha Vida, lançado em março de 2009 com meta de construção de um milhão de residências e R$ 34 bilhões em subsídios, foi tal que em março deste ano, depois de 408 mil unidades já contratadas (41% do total) e mais de 813 mil propostas em análise pela Caixa Econômica Federal, veio a segunda edição, com previsão de mais dois milhões de moradias até 2014. Desta vez, 60% dos imóveis serão destinados às faixas de renda popular – cujo horizonte de demanda é da ordem de 10 milhões de unidades até 2016. Para assegurar que as metas serão cumpridas, o governo prorrogou a isenção fiscal a materiais de construção e incentiva inovações que incluem até expedientes como moradias populares feitas de aço. A evolução do mercado comprova o espaço para ousadia e criatividade. Em 2008, o total de novas unidades lançadas no país limitou-se a menos de 100 mil imóveis; em 2009, porém, saltou para 650 mil unidades; a previsão para este ano é superior a 800 mil habitações.
As empresas já enfrentam gargalos de oferta de trabalhadores. Um novo personagem deve expandir seu lugar ao sol nos canteiros de obras nos próximos anos. Uma parceria entre governo e construtoras criou um programa de qualificação profissional de 65 mil vagas destinadas a beneficiários do Bolsa Família: 60% dos inscritos são do sexo feminino. As mulheres se preparam para ocupar a linha de frente na nova arquitetura do desenvolvimento brasileiro.