Nos três últimos anos, a participação das exportações no faturamento da empresa passou de 2% para quase 10%
Esculpir em vidro é mais do que um ofício. É uma arte. E essa arte é há 48 anos o ganha-pão dos mestres vidreiros Antônio Carlos Molinari e Paulo Molinari. Com o auxílio de outros membros da família, os irmãos são os responsáveis pela maior fábrica de vidro de tipo murano das Américas e 100% brasileira.
O processo de criação da Cristais São Marcos é integralmente artesanal. A matéria prima sólida, como a areia de quartzo e o chumbo, entre outros, é aquecida em quase 1.500 graus centígrados. Transformada em uma massa incandescente, essa mistura é retirada do forno por uma ferramenta chamada cana de assopro. A temperatura é gradualmente resfriada, até que o vidreiro possa trabalhar na peça e dar a forma desejada. Por fim, o objeto passa por uma lapidação, que leva de três a quatro horas. Ganha forma e ganha cor. E o vidro ganha vida.
A Cristais São Marcos conta com mais de cinquenta linhas e quinhentos diferentes produtos. Além das duas lojas próprias em Poços de Caldas, no estado de Minas Gerais, Sudeste brasileiro, vende para cerca de 1,5 mil estabelecimentos em todo o Brasil. A capacidade de produção anual da empresa é de 1,1 mil toneladas de vidro tipo murano.
Com a consolidação da empresa no mercado brasileiro, os irmãos mineiros Molinari resolveram ousar. Convidados pelo governo brasileiro para expor as peças na Embaixada brasileira em Roma, no Palácio Panphili, os dois aceitaram o desafio. Foram audaciosos, já que a Itália é o berço do cristal murano e os dois sabiam que para estar ombro a ombro com os italianos tinham que mostrar peças de qualidade. Assim fizeram e a mostra viajou também para San Dona de Piave e Veneza.
A Cristais São Marcos também vem participando há alguns anos da Index, feira de móveis e artigos para decoração em Dubai (Emirados Árabes). No ano passado, vendeu todas as 75 peças do mostruário para um comprador saudita no primeiro dia do evento. A empresa fechou ainda um pedido do Kuwait, de vasos, centros de mesa e esculturas.
O resultado da empreitada é que nos três últimos anos, a participação das exportações no faturamento da empresa passou de 2% para quase 10%. Os cristais murano de Poços de Caldas estão hoje em 40 países, inclusive na Itália. Os irmãos comemoram os resultados, mas fazem questão de recordar que aprenderam o ofício de transformar o vidro em arte com Aldo Bonora, o primeiro mestre vidreiro veneziano a aportar no Brasil.