O Brasil tem um grande desafio para os próximos seis anos: preparar o país para a Copa do Mundo de 2014 e a cidade do Rio de Janeiro para as Olimpíadas e os Jogos Paraolímpicos de 2016. A estimativa do Ministério do Esporte é de que os investimentos necessários nas 12 cidades brasileiras que vão receber os jogos da Copa do Mundo somam US$ 11,3 bilhões. O projeto Rio 2016, por sua vez, está orçado em US$ 15,8 bilhões.
As cifras, no entanto, são somente uma parte desse enorme projeto. Os reflexos desses dois eventos esportivos na economia brasileira já começaram a ser sentidos. Um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), divulgado no começo de 2010, apontou que os projetos de infraestrutura no Brasil vão receber investimentos de US$ 155 bilhões entre 2010 e 2013. O aumento é de 37,3% em comparação ao levantamento do período entre 2005 e 2008. De acordo com o BNDES, o setor de portos é o que vai registrar maior crescimento. Passará de US$ 2,8 bilhões para US$ 7,9 bilhões. Os investimentos nas áreas de telecomunicações e de energia lideram as expectativas de investimentos, com US$ 52 bilhões e US$ 37,9 bilhões respectivamente.
Outra boa notícia veio da agência de classificação de risco Standard&Poors, que concedeu grau de investimento ao Rio de Janeiro. A nota de crédito em escala global foi elevada para "BBB-" e o rating de crédito em escala nacional para "brAAA". O argumento da agência foi que a legislação brasileira e a forte gestão que prevalece no estado nos últimos três anos levaram à crença de que o Rio vai manter sua qualidade de crédito no médio prazo. "O estado do Rio de Janeiro se mantém apoiado por uma economia forte e diversificada, com um PIB per capita estimado em cerca de 25% acima da média do Brasil. O desenvolvimento dos campos do pré-sal vai continuar dando suporte à economia no médio prazo", informou a S&P.
A avaliação da Standard&Poors ganha importância ainda mais significativa, uma vez que análise preliminar da Fundação Instituto de Administração, entidade privada sem fins lucrativos formada por professores do Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP), aponta que os US$ 27,1 bilhões investidos nos Jogos Olímpicos vão gerar um multiplicador de 4,26. O resultado desta conta é uma movimentação na economia brasileira de US$ 58 bilhões no período de 2009 a 2027.
O cálculo da fundação aponta que, para cada dólar investido nos Jogos Olímpicos, a iniciativa privada entraria com outros US$ 3,26 nas cadeias produtivas associadas ao evento. O estudo identificou os 55 setores da economia que mais se beneficiarão com as Olimpíadas. O principal é a construção civil, seguido dos serviços imobiliários e aluguel e os serviços prestados a empresas. A estimativa de impacto no PIB do Brasil, por sua vez, é de US$ 11 bilhões no período de 2009 a 2016, enquanto que no período de 2017 a 2027 será de US$ 13,5 bilhões.
Outro resultado da avaliação é que, apesar de os Jogos Olímpicos de 2016 terem a cidade do Rio de Janeiro como sede, os impactos econômicos serão percebidos no restante do estado, bem como no Brasil. Segundo a análise, mais da metade da massa salarial (50,9%) e dos empregos (53,1%) vai beneficiar pessoas que moram fora do Rio. Com base nesses dados, o ministro do Esporte, Orlando Silva Júnior, avalia que "os investimentos previstos para a realização do evento têm potencial para promover um processo de reestruturação da economia regional, com impactos benéficos na economia de todo o país".