A professora brasileira Cláudia Reichert, de 44 anos, mora numa cidade próxima a Colônia, na Alemanha, desde 1987. Quando saiu do Brasil, o país assistia à derrota de mais um plano econômico que tentava livrar os brasileiros da hiperinflação. Mais sete anos ainda se passariam até que a estabilidade da moeda fosse conquistada. Cláudia não viveu o cotidiano dessa transformação. Na Alemanha, casou e teve dois filhos. Mas não se desliga do Brasil e, quando pode, vem rever a família e sua terra natal. Nos últimos anos sempre encontra um país diferente e cada vez mais convidativo: “Fico muito feliz por ver tantos países investindo no Brasil e nos dando, assim, um voto de confiança”.
A surpresa de Cláudia e de muitos outros brasileiros que moram no exterior faz sentido. O cenário construído nos últimos anos faz do Brasil um país muito diferente daquele que ela deixou em 1987. Se as décadas de 1980 e 1990 marcaram uma época de desempenho medíocre da economia – que, entre outras mazelas, significaram mais recessão e desigualdade social –, de lá para cá fatores como política monetária adequada, responsabilidade fiscal crescente, incremento da economia interna e fortes investimentos sociais mudaram a paisagem e as perspectivas brasileiras.