Revista éBrasil n.2
Sika Duarte
O Brasil vive um momento de grande crescimento econômico e o principal motor deste desenvolvimento é a indústria da construção. Investimentos bilionários e a geração de milhares de empregos impulsionam a economia, ao mesmo tempo em que dão condições de mais desenvolvimento, com a criação de novos portos, rodovias, usinas de energia e extração e distribuição de combustíveis.
Desde que foi lançado, em 2007, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) pretendia aplicar investimentos da ordem de R$ 500 bilhões, já que a expansão do investimento em infraestrutura se fazia necessária para a aceleração do desenvolvimento sustentável no Brasil e a superação de gargalos da economia. Algumas obras do PAC ainda são apenas projetos, mas grande parte já saiu do papel para estimular o aumento da produtividade no País.
O complexo industrial do Superporto do Açu é um desses projetos. Em construção no município de São João da Barra, no Rio de Janeiro, é o maior complexo industrial da América Latina. A LLX, empresa de logística do Grupo EBX, investiu mais de R$ 1,7 bilhão no porto, que atenderá às necessidades de logística e suprimento das atividades de exploração e produção de óleo e gás na Bacia de Campos. O complexo deve atrair investimentos de US$ 40 bilhões para instalação de várias indústrias, entre elas o Estaleiro OSX para construção de plataformas e navios-tanque destinados à exploração de petróleo.
Os investimentos em portos e nas indústrias naval e de exploração de petróleo são cada vez mais significativos desde que o país descobriu uma jazida gigantesca do combustível fóssil na camada pré-sal, que trará muitas vantagens econômicas. Além da segurança energética, com a garantia de autossuficiência petrolífera – o que contribuirá para a estabilidade econômica –, o pré-sal vai permitir a blindagem a possíveis crises energéticas mundiais, geração de divisas com exportação e atração de mais investimentos. A exploração e a produção de petróleo devem criar uma demanda de 600 mil novos postos de trabalho até 2014. A implantação dos projetos do polo Pré-sal da Bacia de Santos também vai propiciar oportunidades para o crescimento da indústria nacional.
O Brasil precisa de energia
No setor de energia hidrelétrica, várias obras estão em andamento, entre elas a Usina Belo Monte, no Rio Xingu, no município de Vitória do Xingu, no Estado do Pará. Embora a possibilidade de construção dessa usina tenha surgido na década de 1970, somente em 2011 foi concedida a Licença de Instalação, em função do impacto ambiental, que exigiu estudos aprofundados. A concessão para a construção da hidrelétrica foi leiloada em abril de 2010 e a outorga coube à Norte Energia S/A por 35 anos.
Composta por empresas estatais, empreiteiras, fundos de pensão, fundos de investimentos e consumidores, a Norte Energia S/A firmará contratos de comercialização de energia elétrica no ambiente regulado, com as concessionárias de distribuição, no montante de R$ 62 bilhões, relativos ao fornecimento de 795 mil megawatt/hora. Com estimativa de iniciar as operações no dia 31 de dezembro de 2014 e a comercialização do serviço em fevereiro de 2015, Belo Monte será a maior usina hidrelétrica brasileira e a terceira maior do mundo. Segundo o Ministério de Minas e Energia, sua construção deve gerar cerca de 20 mil empregos diretos.
Outro grande complexo hidrelétrico em construção no Brasil será no Rio Madeira, no Norte do País, com as usinas de Jirau e Santo Antônio. A usina hidrelétrica Jirau, em Rondônia, foi leiloada em maio de 2008, quando a Energia Sustentável do Brasil, composta pelas empresas GDF Suez (50,1%), Chesf (20%), Eletrosul (20%) e Camargo Corrêa (9,9%), ganhou a concessão para operá-la por 30 anos. As obras foram iniciadas no final de 2008 em plena Floresta Amazônica, distante 130 quilômetros da capital, Porto Velho. A usina já recebeu R$ 12 bilhões em investimentos e emprega mais de 16 mil trabalhadores. Ao todo, a previsão é de que a usina gere cerca de 40 mil empregos, entre diretos e indiretos, e tenha capacidade instalada de 3.750 megawatts, energia suficiente para abastecer mais de dez milhões de residências.
Mas nem só da água virá a energia do Brasil. A Tractebel Energia inicia a construção de cinco parques eólicos no Nordeste. Até dezembro do próximo ano, a companhia, líder do setor privado de geração de energia no Brasil, passa a contar com a energia renovável de cinco parques eólicos – um no Piauí e quatro no Ceará – totalizando 145,6 megawatts de capacidade instalada e investimento de R$ 630 milhões. Na primeira etapa da obra estão sendo realizados o projeto executivo e a fabricação de equipamentos. O presidente da empresa, Manoel Zaroni Torres, ressalta que a maior parte da capacidade comercial destes projetos já foi vendida no mercado livre. “Nossa empresa sempre buscou o aumento do mercado livre de energia e a livre escolha de fornecedor de energia pelo maior número possível de clientes”, explica. Com 22 usinas em quase todas as regiões do Brasil, a empresa tem como foco a energia renovável, possuindo plantas eólicas, hidrelétricas e de biomassa, à base de cana-de-açúcar e madeira.
Canteiro de obras
Outro grande projeto do País é o alcooduto, transporte de etanol que nasce com capital de R$ 100 milhões e perspectiva de R$ 6 bilhões em investimentos até 2016. Petrobras, Copersucar, Cosan, Odebrecht, Camargo Corrêa e Uniduto Logística uniram-se para formar a Logum Logística, empresa responsável pela implantação e operação de um grande sistema de transporte de álcool, que envolverá dutos, hidrovias, rodovias e cabotagem, ligando as principais regiões produtoras do País aos portos do Rio de Janeiro e de São Paulo. A previsão é de que o sistema esteja concluído em 2016, com capacidade de transporte de 21 milhões de metros cúbicos e armazenamento de 838 milhões de metros cúbicos por ano.
Na área de rodovias, além de duplicação de trechos importantes, o Rodoanel Mário Covas é o maior empreendimento do Governo de São Paulo e de abrangência nacional. Pretende equacionar o sistema viário da Região Metropolitana da maior capital do País e racionalizar o fluxo de cargas que cruzam São Paulo, seguem para o Porto de Santos e para os países do Mercosul, contribuindo diretamente para a otimização da economia nacional. Com todos os trechos concluídos, o Rodoanel interligará as dez principais rodovias que dão acesso a São Paulo. A previsão de conclusão aponta para o ano de 2014.
Outros grandes investimentos complementam o canteiro de obras em que se tornou o Brasil. País emergente que se prepara para ter sustentabilidade, com média de crescimento econômico anual na faixa de 5%, sem risco de um apagão logístico.