Um dos efeitos mais visíveis do aumento real da renda e da queda do desemprego no Brasil é a profusão de shoppings voltados para as classes C e D. Eles são a aposta de grandes grupos para aproveitar a inclusão de novos públicos no mercado de consumo. São 86,2 milhões de brasileiros que, de acordo com dados oficiais, carregam um potencial de consumo de quase U$ 227 bilhões. É pouco mais que a população da Alemanha. E as classes D e E – que se movimentam em direção à classe C –, consumiram, em 2009, 21% a mais que no ano anterior.
O crescimento nesse setor pode ser verificado a partir da atuação da General Shopping, um dos maiores grupos nesse segmento. Ao todo, o grupo mantém 13 empreendimentos, com uma participação média de 82,8%. Com atuação cada vez mais voltada para a classe C, a empresa teve um crescimento na receita bruta de 57,8% em 2008, comparada ao ano anterior.
A mesma estratégia é adotada pela maior empresa de shoppings do Brasil. A Multiplan, que administra 13 shoppings próprios, enxerga no público da classe C garantias de retorno cada vez maiores. E aposta igualmente na interiorização, com a abertura de empreendimentos em cidades distantes das capitais. Tanta oportunidade atiçou também o grupo francês Casino, que detém metade das ações do Pão de Açúcar, maior grupo varejista brasileiro. A intenção do grupo é abrir centros comerciais agregados a supermercados, o que aumentará ainda mais a concorrência no segmento.
E a qualidade do consumo também vai mudando. O hábito trouxe um novo tipo de consumidor, mais exigente. Conforme estudos de marketing, esses brasileiros compram cada vez mais com base na qualidade do produto e menos em razão do preço. Uma tendência que começou nas gôndolas dos supermercados – as grandes redes apostam cada vez mais no lançamento de produtos populares – e que agora vai se sedimentando nos corredores dos shopping centers.