Sumário
Editorial
Carta ao leitor
Ciência e Tecnologia
Especial Capa
Melhores Destinos
Mulheres de Sucesso
Brasileiros no Mundo
Cinema
Agenda
Notas
Economia
Política externa
Investimentos
Capital Externo
Importações
Comunidades
Exportações
Lugares do Brasil
Personagem
Consultoria
Eventos
Esportes
Turismo
Meio Ambiente
Gastronomia
Cultura
Música
Moda & Design

Entrevista Guido Mantega

Ministro da Fazenda explica por que a economia vai bem

Nascido em Gênova, berço das grandes navegações e terra natal de Cristóvão Colombo, mas com doutorado na Inglaterra e reconhecido como um dos mais antigos assessores do presidente Lula, o ministro Guido Mantega comanda com firmeza a travessia brasileira para um ciclo sustentável de desenvolvimento.
Nessa entrevista exclusiva à éBrasil, ele demonstra estar atento aos desafios inerentes a esse percurso, seja nas contas externas ou na inflação. Mantega deixa claro que o governo adotará as medidas necessárias à manutenção do rumo, entre elas estímulos duradouros às exportações.

éBrasil – A maior crise financeira desde 1929 ainda faz vítimas no mundo e obriga os países a repensarem a regulação do sistema financeiro. Mas no Brasil, diferentemente, a economia sofreu bem menos e, já na segunda metade de 2009, o país comemorava a retomada do crescimento econômico e vislumbrava expansão de até 5% na economia neste ano de 2010. Que fórmula é essa do Brasil, que tanto chama a atenção no mundo?

Guido Mantega – A fórmula do Brasil é apostar no mercado interno, no investimento e na justiça social. Os fundamentos sólidos da economia, especialmente no que se refere ao controle da inflação, redução do déficit público e diminuição da dívida pública (interna e externa), permitiram a tomada de medidas anticíclicas, fundamentais para a reação rápida do Brasil. Esta política foi baseada na decisão de manter a roda da economia funcionando, de não penalizar os consumidores brasileiros, como aconteceu no passado.

Nossas ações envolveram o combate à falta de liquidez, a manutenção dos estímulos ao investimento e ao consumo, além da garantia de emprego e renda. Entre as medidas adotadas, reduzimos o compulsório, mantivemos elevado o nível de reservas internacionais e reduzimos impostos para segmentos que mais geram emprego no país, como a indústria automobilística, construção civil, bens de capital e eletrodomésticos. Vale lembrar que isso foi feito com responsabilidade fiscal, sem aumentar a dívida pública. A renúncia fiscal foi compensada com a manutenção do emprego, do consumo das famílias e da renda do trabalhador.

éBrasil – O Estado brasileiro aparentemente resolve uma difícil equação, qual seja a de manter intacta a economia de mercado e ao mesmo tempo tomar medidas indutoras nesse cenário. Como funciona essa política?

GM – O governo Lula tem como foco promover o crescimento sustentável com distribuição de renda e fortalecimento do mercado interno. Nossa postura é fazer com que o Estado participe naqueles setores, ou naqueles momentos nos quais o setor privado se mostra incapaz de agir. É o chamado Estado indutor.
Neste contexto, destacamos a expansão dos investimentos no Brasil, impulsionada pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e outros programas operacionalizados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) que fomentam vários segmentos da indústria, além do Minha Casa, Minha Vida.

éBrasil – Chama a atenção que a fórmula utilizada pelo Brasil não encontra semelhança em
outros países. E hoje, para além da política econômica, temos soluções genuínas, como o motor bicombustível, o biodiesel e até a tecnologia para extração de petróleo no pré-sal. Como aconteceu essa evolução?

GM – O Brasil transitou para um novo patamar de reconhecimento internacional. O destaque para os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) faz parte disso. Temos vários setores de destaque. Além de liderarmos a tecnologia na produção da energia alternativa, como o biodiesel – que fomenta a agricultura familiar – e o etanol, conquistamos recentemente a autossuficiência em petróleo, uma ambição de qualquer nação.
Além disso, o Brasil irá aproveitar a riqueza do pré-sal, capaz de gerar efeitos positivos na indústria. Essas descobertas nos ajudarão a equacionar os problemas fiscais e possibilitarão elevar o nível da educação no Brasil. Lembrando uma frase do presidente Lula, os jovens brasileiros farão parte de uma geração que verá o país crescer por, pelo menos, 15 anos consecutivos.
A autoestima do brasileiro está elevada por motivos consistentes. Passamos de devedores a credores do FMI e esperamos que a economia brasileira seja uma das cinco maiores do mundo antes de 2020. O poder de compra do brasileiro atingiu um nível inédito e mais de 23 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza.

éBrasil – Indicadores sociais em crescimento, com ascensão das classes C e D – e consequente incremento do mercado de consumo -, e um movimento de interiorização, de retorno do brasileiro para as cidades menores. É possível dizer que um novo Brasil está em curso?

GM – Sem dúvida. Assistimos a importantes mudanças no perfil socioeconômico no Brasil. Nos últimos cinco anos, a classe C ganhou 30,2 milhões de consumidores. Entre 2008 e 2009, a renda familiar média mensal subiu, na classe C, de R$ 1.201 para R$ 1.276.
Do ponto de vista regional, a região Centro-Oeste, e não mais a Sul/Sudeste, é hoje um dos principais polos migratórios do país. A dinâmica dessa migração é basicamente econômica e reside no fato de que as novas fronteiras no agronegócio estão nas regiões do Cerrado. Tem gente saindo de São Paulo e Paraná, por exemplo, para plantar e investir em usinas de álcool em pequenas cidades do Mato Grosso do Sul.

éBrasil – Como o Brasil, e em especial a área econômica, tem trabalhado para desfazer a alegada dicotomia entre crescimento econômico e política ambiental responsável?

GM – De forma geral, o governo tem se mobilizado para promover políticas que aliem crescimento econômico e política ambiental responsável. Especificamente, a área econômica tem se dedicado a criar normas que regulem a economia, de forma a alcançar esses objetivos. Com relação ao crédito rural, podemos citar a resolução que condicionou o financiamento agropecuário na região amazônica à apresentação de documentos que comprovem a regularidade ambiental. Avaliações do Ministério do Meio Ambiente comprovam que esta medida tem contribuído de forma efetiva para a redução do desmatamento na região. Vale destacar, ainda, a criação de linhas de crédito especiais com finalidades ambientais, direcionadas tanto à agricultura familiar quanto à empresarial. Entre os objetivos dessas linhas estão o estímulo à produção agropecuária sustentável, a recuperação de áreas de reserva legal e de preservação permanente e o manejo sustentável de florestas.
Ainda na área econômica, há programas que subvencionam a produção extrativista realizada por agricultores familiares, permitindo gerar uma fonte de renda que reduz a pressão sobre atividades agressivas ao meio ambiente.
Também não podemos esquecer o importante compromisso assumido pelo governo em Copenhagen, onde nos propusemos a reduzir a emissão de carbono.

éBrasil – Alguns analistas temem que a contração do comércio internacional, que penalizaas exportações brasileiras, associada ao dinamismo do mercado doméstico, que amplia importações, possa redundar num déficit cambial crescente, pondo em risco o equilíbrio macroeconômico. Que salvaguardas o Brasil dispõe para evitar esse risco? Em que medida o ciclo do pré-sal poderá revertê-lo, trazendo investimentos e gerando divisas?

GM – Os recentes aumentos de preços das commodities têm favorecido o Brasil. Exemplo disso foi o recente e expressivo aumento no preço do minério de ferro. O mecanismo utilizado pelo Brasil para regular as contas externas é o regime de câmbio flutuante, que ajusta o saldo em conta corrente à disponibilidade de financiamento externo. Caso o déficit em conta corrente se torne excessivo, a taxa de câmbio sobe e reduz o déficit. Com câmbio flutuante e aumento no investimento direto estrangeiro, o ajuste do saldo brasileiro em conta corrente é mais rápido hoje do que no passado, pois itens como viagens internacionais, ou lucro e dividendos, respondem rapidamente às mudanças na taxa de câmbio. O pré-sal ajudará as contas externas e seu grande potencial atrairá investimentos estrangeiros. Quando o petróleo começar a ser extraído, representará um reforço saudável em nossas contas externas.

stampa Bookmark and Share
Para anunciar na Revista éBrasil

Assine
Receba a Revista éBrasil em qualquer parte do mundo  

Em São Paulo
Rua Gomes de Carvalho, 1069
3° andar - cj 31 - sala 6 - Vila Olimpia
04547-004 | São Paulo | SP
Fone +55 (11) 3488.4611
Fax  +55 (11) 3488.4601
info@brazilplanetedicoes.com.br


 

èBRASIL

Em Florianópolis - SC
Fábrica de Comunicação
Av. Madre Benvenuta, 1332 - sobreloja
Fone +55 (48) 3027.6000 
          +55 (48) 9962.1562
redacao@brazilplanetedicoes.com.br   

 

 

 

Copyright©2009 Todos os direitos reservados
BRAZILPlanet Edições Ltda | Rua Gomes de Carvalho, 1069 | São Paulo | 04547-004 | info@brazilplanetedicoes.com.br

Powered by Kalì