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A força da classe C

Um mercado que reúne 46% da renda nacional

Empresários não costumam rasgar dinheiro. E se eles voltaram a investir maciçamente no mercado brasileiro é porque a resistência da demanda interna diluiu apreensões com base em números irresistíveis. O consumo das famílias aumentou 4,1% em 2009. Analistas de diferentes tendências convergem para um novo consenso. O êxito brasileiro decorre de uma mudança estrutural: a emergência do segmento de renda popular denominado ‘classe C’.

É praticamente um novo país, ávido por bens e direitos, que reúne 53,6% da população e 46% da renda nacional. De computadores à casa própria, passando por meias, fraldas, alimentos, carros, motos, televisores e educação, o leque dessa demanda insaciável está redesenhando a geografia econômica e política do gigante sul-americano. O Nordeste, com suas praias de águas mornas e areias brancas, é destino cada vez mais cobiçado por fábricas, lojas, supermercados e investidores determinados a aproveitar o boom de negócios na região.
A renda média do Nordeste brasileiro cresceu 17% acima da média nacional, no quinquênio 2003/2008. A roda do emprego também gira mais depressa lá. Enquanto o mercado formal de trabalho cresceu vistosos 41% no país, de 2003 a 2009, na economia nordestina o ritmo foi ‘chinês’, dizem analistas mais entusiasmados. Destaque para os estados do Ceará, que teve aumento de 51%, e Rio Grande do Norte, que cresceu 63%.

A evolução do crédito é outra alavanca dessa transformação que sacode toda a estrutura da gigantesca rede nacional de quase 5.600 municípios, mas que tem 55,5% do PIB e 46% da população concentrados em 38 grandes centros urbanos. Há uma década, esse Brasil crescia a anêmicos 2,3% em média, ao ano. Desde 2004, as taxas de crescimento saltaram para a média de 4,5% ao ano. E mesmo no momento mais difícil da crise, entre o final de 2008 e março de 2009, os bancos públicos forneceram a liquidez adequada para compensar o recuo momentâneo das instituições privadas. Eles foram responsáveis por 83% da expansão do estoque de crédito desde o início da crise, mantendo intocado o dinamismo do grande mercado popular.

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