Revista éBrasil n.2
Francine Herpich
Chapéu de palha, roupas coloridas com remendos, a indumentária é tipicamente rural. Prepare-se para entrar no embalo do forró. Abra o apetite para quitutes regionais, como curau, pamonha, milho cozido, péde- moleque e quentão. Para decorar, use bandeirinhas, cordões, fogueiras e fogos de artifício. Atenção ao comandante da quadrilha! Não esqueça a alegria, porque vai começar o São João!
As festas de São João acontecem em todo o País, entretanto, possuem variações conforme a cultura de cada Estado. Na região Nordeste a comemoração é maior, reúne milhares de visitantes, atrai turistas, gera emprego e lucro para as cidades.
Também conhecidas como festas Juninas, as Festas de São João celebram os três santos do mês de junho – São Antônio, 13 de junho, conhecido como casamenteiro; São João, 24, tem o título de festeiro e é o protetor dos casados e enfermos; e São Pedro, 29, considerado o guardião das portas do céu e o protetor das viúvas e dos pescadores.
Originalmente, eram festas cristãs, trazidas pelos portugueses no período da colonização. Com o tempo, vários elementos foram acrescentados e elas tornaram-se sinônimo de diversão.
Cada cidade possui suas particularidades, em Cachoeira, na Bahia, por exemplo, o município realiza a Feira do Porto, que acontece a mais de 200 anos. Cachoeira é banhada pelo Rio Paraguaçu, por onde eram trazidos os produtos juninos, como o milho. “Esse foi o primeiro município a vender a festa como atração turística, em 1972”, explica o historiador da Secretaria de Turismo da Bahia, Manoel Passos Pereira.
Enquanto o carnaval se concentra em Salvador, as festas de São João movimentam praticamente todo o interior do Estado da Bahia. O mês de junho era considerado de baixa temporada na região litorânea, mas, desde que o Governo do Estado tem incentivado também essa manifestação cultural, os hotéis seguem lotados mesmo em junho.
A participação popular nos festejos é muito importante, pois são os moradores que ensaiam com antecedência as danças das quadrilhas, confeccionam e montam as bandeirinhas, cordões de seda e fogueiras. Outra tradição popular é a confecção e venda de licores de genipapo e maracujá, frutas com os sabores mais clássicos da região. “Os locais são os principais protagonistas das festas”, ressalta o historiador baiano.
Paraíba em Festa
Outro movimento interessante é o que acontece na Paraíba, que busca conservar e valorizar o que o Estado tem de mais tradicional. Segundo Milton Dornellas, músico e diretor executivo da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), responsável pelo ‘São João em João Pessoa – O Melhor da Gente', os eventos enfatizam a linguagem típica paraibana e as festas proporcionam espaços para as bandas locais. “No nosso São João, primamos por uma programação legitimamente nordestina, esse é o diferencial da nossa festa Junina. Investimos na cultura popular e o desafio é preservar a identidade paraibana”, sustenta Milton.
Na capital paraibana, o evento ocorre no Ponto de Cem Réis (Praça Vidal de Negreiros). O grande largo, localizado no Centro da cidade, é tombado pelo patrimônio histórico nacional. Apresentam-se na festa cerca de trinta atrações, chegando a reunir até quarenta mil pessoas por noite. No local são armados dois palcos, um deles destinado aos shows e o outro exclusivamente para a cultura popular.