País de imigrantes, o Brasil viveu uma onda de saída de brasileiros do país para o exterior a partir dos anos 80 do século 20, quando sucessivas crises econômicas, baixo crescimento e desemprego induziram muitos jovens, especialmente, a procurar oportunidades em economias mais desenvolvidas. Essa onda emigratória fez com que o último relatório do Ministério das Relações Exteriores (MRE), de setembro de 2009, indicasse o número de 3.040.993 brasileiros vivendo em outros países.
Três países absorvem 80% dos emigrantes brasileiros: Estados Unidos, com 1,28 milhão de brasileiros; Paraguai, com 300 mil “brasiguaios”; e Japão, com 280 mil “dekasséguis”. Na Europa, há 816.257 brasileiros, principalmente no Reino Unido (180 mil), em Portugal (137.600) e Espanha (125 mil).
Nos últimos anos, essa realidade passou a receber atenção redobrada do governo brasileiro. O primeiro marco foi a criação, em 2007, da Subsecretaria-Geral das Comunidades Brasileiras no Exterior (SGEB), do MRE, para cuidar desse tema.
Outro marco importante foi a I Conferência das Comunidades Brasileiras no Exterior, promovida pelo MRE em julho de 2008, no Rio de Janeiro. Foi a primeira vez que comunidades brasileiras no exterior se encontraram de maneira organizada para discutir suas realidades. A segunda edição do evento foi realizada em outubro de 2009, também no Rio.
Um dos frutos dos encontros foi a criação do Conselho de Representantes das Comunidades Brasileiras no Exterior (CRBE), com funções consultivas, permitindo ao governo brasileiro conhecer melhor as demandas dessas comunidades. Em breve, serão eleitos quatro representantes titulares e quatro suplentes, por continente.
Além da SGEB e do CRBE, estão sendo criados conselhos de cidadania dos emigrantes no âmbito das jurisdições consulares, com representantes eleitos por voto direto e concebidos para servir ao diálogo entre emigrantes e o Estado brasileiro, em nível local. O MRE criou ainda o portal “Brasileiros no Mundo” , para ampliar o diálogo com as comunidades brasileiras no exterior.