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Caros leitores da revista éBrasil

de Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República Federativa do Brasil, em ocasião do primeiro número da Revista

As escolhas do desenvolvimento significam a forma particular como cada povo se apresenta para a história e para o mundo. Graças a isso, automatismos econômicos são superados por decisões políticas soberanas que definem prioridades, ampliam caminhos, permitem parcerias e encorajam projetos, compartilhando horizontes com outros povos e nações.

O Brasil vive um dos momentos mais promissores de sua história. Felizmente, não se trata de opinião somente nossa, da imensa maioria da sociedade brasileira, mas é também a voz corrente mundo afora. Escolhas feitas nos últimos anos abriram um amplo leque de oportunidades para o país, ao mesmo tempo em que alargaram o espaço para a cooperação com outros países e com investidores de todo o mundo.

Estamos falando de um horizonte de solidez financeira, estabilidade fiscal, otimismo produtivo e forte inclusão social que se estende por 8,5 milhões de quilômetros quadrados; por 47% da área da América do Sul; reunindo a quinta maior população do planeta (190 milhões de habitantes) e produzindo um dos dez maiores PIBs do mundo por paridade de poder de compra.

Vantagens comparativas, nós sabemos, se transformam em poderosas alavancas de progresso quando mobilizadas por forte consenso democrático da sociedade. Foi graças às políticas de governo adotadas nos últimos anos que o Brasil reencontrou seu caminho de crescimento com estabilidade e maior justiça social para o seu povo. Mais de 12,4 milhões de empregos formais foram criados desde 2003. Cerca de 33 milhões de brasileiros ascenderam na escala da renda em nosso governo, mais de 24 milhões deixaram a linha da pobreza. Antes, durante e depois da fase mais aguda da crise mundial, o mercado interno brasileiro não parou de crescer. Um amplo segmento de renda média consolidou-se nos últimos anos. Hoje, ele representa 52% de toda a população e reúne 46% da renda nacional.

Ainda mais importantes foram os efeitos multiplicadores dessas mudanças na produção e no investimento, o que significou poderoso contrapeso à retração do comércio mundial. E que trouxe à sofisticada base industrial brasileira uma nova fronteira de expansão, que só tende a se ampliar. Sem contar a boa saúde do sistema financeiro, que, aliada a bancos públicos competitivos, propicia ao país uma vantagem inédita no atribulado ambiente das finanças internacionais.

E não falta potencial para um crescimento ainda maior. A descoberta de uma gigantesca província petrolífera, o Pré-Sal, a sete mil metros de profundidade na costa brasileira - mas, sobretudo, a competência para explorá-la com tecnologia nacional da Petrobras, líder mundial em águas profundas - evidencia que não estamos diante de uma simples obra do acaso. A infraestrutura está em franca expansão, com investimentos da ordem de U$ 340 bilhões que tornaram o país um imenso canteiro de obras.

No setor de energia, desafio que inquieta a todas as nações do século 21, o Brasil tem um singular horizonte de autossuficiência e versatilidade. Nossa economia está solidamente implantada nas duas pontas da transição energética em curso no planeta. Somos autossuficientes em petróleo e o etanol brasileiro figura como uma das mais eficientes fontes renováveis à disposição da nova matriz mundial. Seu custo é quase três vezes inferior ao similar extraído do milho. A eficiência é oito vezes maior. Utilizando apenas 0,5% das terras agricultáveis do país, ele já substitui 25% da gasolina consumida. E o melhor: a fronteira agrícola brasileira reúne área suficiente para multiplicar a oferta de alimentos e de biocombustíveis sem prejuízo da segurança alimentar e sem descuidar da melhoria das condições de vida dos trabalhadores do campo e da preservação ambiental. Além disso, aprovamos em 2009 um zoneamento agroecológico que preserva o grande patrimônio da Amazônia brasileira.

Está prevista a aplicação de cerca de U$ 40 bilhões por ano em novos empreendimentos de infraestrutura, que envolvem ferrovias, refinarias, siderúrgicas, projetos de reflorestamento para produção de papel e celulose e uma indústria naval para atender às demandas do Pré-Sal, entre outros investimentos. A eles vem se somar uma nova ordem de investimentos com dupla finalidade: preparar nossas cidades para abrigar a Copa do Mundo de 2014 e, logo depois, receber os Jogos Olímpicos de 2016. Mais do que festas mundiais do esporte, o que esses eventos nos reservam é a oportunidade imperdível de criar novos impulsos de desenvolvimento com cidadania e justiça social.

Creio que não falta nem faltará assunto a ser abordado com rigor e competência pela revista éBrasil, tornando-a uma forte mensageira das boas-vindas do nosso país aos parceiros e investidores de todo o mundo dispostos a crescer e a prosperar ao nosso lado.

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