Forças armadas e transporte ferroviário de alta velocidade: as principais áreas onde o grupo italiano pretende ter participação importante no mercado sul-americano
O mercado brasileiro representa uma prioridade para o grupo italiano Finmeccanica. É o que declarou à imprensa brasileira Pier Francesco Guarguaglini, presidente do grupo. Segundo ele, o país sul-americano oferece inúmeras oportunidades em diversos setores, especialmente depois do acordo assinado em 12 de abril durante a Cúpula de Segurança Nuclear, em Washington, pelos dois governos. O acordo trata da cooperação mútua em diversas áreas, como política, judiciária, técnico-militar e defesa, econômica, comercial, industrial, financeira, de turismo e energia – entre outras.
“O Brasil é muito importante para nós”, diz o empresário. E continua: “O acordo assinado pelo primeiro-ministro Silvio Berlusconi e o presidente Lula abre muitas portas, especialmente com relação à transferência de tecnologia”. Quanto aos investimentos futuros, nenhuma soma foi ainda anunciada, mas os objetivos são claros: o grupo italiano, líder no setor aeroespacial e de defesa, pretende desempenhar um papel de destaque nos projetos de modernização das Forças Armadas brasileiras.
O grupo Finmeccanica também está trabalhando para obter o contrato que pode levar à substituição do “Super Tucano” – aeronave produzida pela Embraer e utilizada em missões de vigilância e de controle – pelos modernos M346, fabricados pela Alenia Aermacchi, uma das empresas do grupo. Quanto à Marinha, o Finmeccanica pretende construir uma nova frota de fragatas equipadas com sistemas de defesa.
Outro setor que tem despertado grande interesse para o grupo italiano é o de transporte ferroviário. Por meio de suas empresas Ansaldo STS e Ansaldo Breda, o grupo aposta na construção do trem de alta velocidade que ligará São Paulo e Rio de Janeiro. Trata-se de um importante e vultoso projeto, estimado em cerca de 35 milhões de reais (13 milhões de euros).
Como explica o diretor comercial de Finmeccanica, Paolo Pozzessere, a decisão não deve ser precipitada: “Visto que se trata de uma operação com muitas variáveis e riscos não indiferentes, precisamos compreender melhor a situação. Sem mencionar que representa um investimento de enorme dimensão, impossível de ser realizado exclusivamente com capital privado”.